Rentabilidade da banana cai 26% em Bom Jesus da Lapa com preços menores e custos maiores

Produtores de banana prata enfrentam queda nas cotações, aumento dos gastos com energia e pressão dos custos de produção no Oeste da Bahia.

Plantação de banana em Bom Jesus da Lapa, no Oeste da Bahia, onde produtores enfrentam queda na rentabilidade e aumento dos custos de produção.
Produção de banana enfrenta pressão de preços menores e custos elevados em Bom Jesus da Lapa. 📸Deivulgação

Em 2026, a rentabilidade da banana prata de primeira qualidade para os produtores de Bom Jesus da Lapa, no Oeste da Bahia, se mostra inferior à de 2025 no acumulado do período janeiro-agosto, com redução de 26% frente ao valor observado nos mesmos meses de 2025. O resultado decorre de um cenário de queda nos preços da fruta ao longo do ano, com recuo de 10% na mesma comparação. Esse movimento, combinado à elevação dos custos de produção, pressionou as margens obtidas pelos produtores no período.

O início do segundo semestre de 2026 não apresenta, até o momento, alterações expressivas na praça baiana em relação às cotações dos meses anteriores, com o valor médio da cultivar em agosto permanecendo praticamente estável frente a julho de 2026. Os custos de produção, no entanto, aumentaram, impulsionados pela elevação dos gastos com energia elétrica, ficando em média de R$ 2,50/kg. As condições climáticas da região — marcadas pela ausência de chuvas há quatro meses e pela persistência de altas temperaturas — têm reduzido a umidade do ar e elevado o risco de estresse hídrico das plantas. Nesse cenário, as bombas responsáveis pela irrigação precisam permanecer ligadas por cerca de 18 horas diárias para suprir a demanda hídrica dos bananais e preservar a produção, o que eleva os gastos com energia elétrica. O aumento da produtividade foi outro movimento observado frente a julho, explicado pelo avanço do volume da cultivar, já esperado pelo calendário produtivo; a maior disponibilidade da fruta também contribuiu para o cenário de preços no mês.

Na comparação entre os indicadores econômicos de agosto de 2026 e os do mesmo período de 2025, observa-se um acirramento das dificuldades enfrentadas pelos produtores do polo ao longo deste ano. Quanto à cotação média, o preço da banana prata de qualidade superior era de R$ 3,55/kg em agosto de 2025 e passou a R$ 2,44/kg em agosto de 2026, queda de 31% no valor recebido por quilo da fruta. Essa redução expressiva está relacionada ao movimento gradual de substituição da produção de prata pela nanica: a menor rentabilidade do cultivo da prata, diante do aumento dos custos com o controle do Fusarium, tem levado produtores do semiárido a direcionar parte dos investimentos para a nanica, cuja oferta vem crescendo gradualmente na região. A maior disponibilidade de nanica, aliada a cotações normalmente inferiores às da prata, favorece a demanda pela variedade, sobretudo entre consumidores mais sensíveis a preço — o que tem ampliado sua participação no mercado e contribuído para o enfraquecimento da demanda pela prata. Soma-se a isso a elevação dos custos de produção, decorrente das dificuldades no controle de pragas e doenças, que têm exigido maiores investimentos em produtos fitossanitários, além do aumento dos gastos com mão de obra e energia elétrica, que também pressionam os custos da atividade.

Como perspectiva para o restante do segundo semestre, espera-se aumento das cotações diante das mudanças previstas no mercado nacional da bananicultura. Os danos provocados pelas enchentes nas propriedades do Vale do Ribeira (SP) e pelas chuvas de granizo em Delfinópolis (MG) devem resultar em perdas de produtividade no curto e no longo prazo, considerando que a recuperação total do potencial produtivo pode ocorrer somente até o fim do primeiro semestre de 2027. Diante desse cenário, outras praças produtoras — principalmente no Semiárido — poderão ser beneficiadas pelo aumento dos carregamentos realizados por atacadistas que hoje se abastecem nas regiões afetadas. A maior procura por frutas de outras origens tende a elevar a demanda nessas praças e, consequentemente, favorecer as cotações ao longo do segundo semestre em Bom Jesus da Lapa (BA).

Fonte: hfbrasil.org.br

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