STJ condena ex-presidente do TJ-BA e outros quatro por venda de sentenças em caso investigado pela Operação Faroeste

Maria do Socorro Barreto Santiago recebeu pena de 14 anos e 11 meses de prisão; empresário Adailton Maturino foi condenado a 21 anos e sete meses. Decisão cabe recurso.

Fachada do Superior Tribunal de Justiça, responsável pelo julgamento que condenou cinco réus por corrupção e venda de decisões judiciais investigadas na Operação Faroeste, na Bahia.
STJ condenou cinco réus em processo relacionado à Operação Faroeste, que investigou a venda de decisões judiciais e a grilagem de terras no Oeste da Bahia.📸Divulgação

A ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, e outros quatro réus foram condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na quarta-feira (21), em uma ação sobre venda de decisões judiciais investigada pela Operação Faroeste. As penas variam de 10 anos e nove meses a 21 anos e sete meses de prisão, todas em regime inicial fechado. Cabe recurso.

O processo é um dos desdobramentos da investigação que apura, desde 2019, a atuação de magistrados para beneficiar empresários do agronegócio no oeste baiano. Segundo os investigadores, o esquema buscava legalizar mais de 360 mil hectares de terras griladas e envolveria cerca de R$ 1 bilhão.

Condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Maria do Socorro recebeu pena de 14 anos e 11 meses de prisão. O juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio foi sentenciado pelos mesmos crimes a 15 anos e oito meses.

O julgamento também determinou a perda do cargo público dos dois magistrados. No caso de Sérgio Sampaio, a punição foi convertida em cassação da aposentadoria compulsória. Ambos chegaram a ser presos durante a investigação, mas aguardavam o julgamento em liberdade.

A maior pena foi aplicada ao empresário Adailton Maturino dos Santos: 21 anos e sete meses de prisão. A mulher dele, Geciane Souza Maturino dos Santos, recebeu condenação a 16 anos e quatro meses, enquanto o advogado Ricardo Augusto Três foi sentenciado a 10 anos e nove meses. Os três responderam por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Outros três acusados foram absolvidos por falta de provas: Amanda Santiago Andrade Sousa, ex-vocalista da Timbalada e filha de Maria do Socorro, Valdete Aparecida Stresser e Márcio Duarte Miranda.

A decisão foi unânime. Os integrantes da corte seguiram o voto do relator, ministro OG Fernandes, que levou mais de duas horas para apresentar sua análise. A sessão começou pela manhã e terminou no início da noite, após manifestações da acusação e dos advogados dos réus.

A defesa de Maria do Socorro contestou a condenação e anunciou que recorrerá. Em nota, os advogados afirmaram que a decisão “não se apoia em qualquer prova idônea” e sustentaram que uma transação financeira entre irmãos, documentada e declarada, foi interpretada pela acusação como pagamento de propina.

Os defensores também criticaram o uso de anotações pessoais de conteúdo místico e espiritual apreendidas na casa da desembargadora. Segundo a defesa, o material foi utilizado para avaliar a personalidade da magistrada e agravar sua pena.

Sobre Amanda Santiago, representada pela mesma equipe, os advogados afirmaram que a absolvição confirma a posição sustentada desde o início do processo. “Amanda jamais praticou qualquer crime e jamais deveria ter sido acusada”, declarou a defesa. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos outros réus.

O TJ-BA informou, em nota, que “não se manifesta sobre questões relacionadas a processos judiciais em tramitação nas instâncias superiores”.

A Operação Faroeste se concentra em disputas por terras no oeste da Bahia, região de forte presença do agronegócio e produção de soja, milho e algodão. Conforme a investigação, decisões judiciais eram negociadas para favorecer interesses empresariais sobre essas áreas.

Fonte: Correio

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